The Tea Master

28 Janeiro - 14 Março 2026
A Galeria Rui Freire – Fine Art apresenta "The Tea Master", uma exposição colectiva que reúne onze artistas cujas práticas interrogam de forma crítica a pintura, o desenho, a escultura e a experiência do espaço.
 
BJARNE MELGAARD, BRUNO CASTRO SANTOS, DONNA HUANCA, HEIMO ZOBERNIG, JOSH SPERLING, LEENA NIO, MELIKE KARA, PEDRO QUINTAS, ROBERT JANITZ, RUI MATOS, HANNS SCHIMANSKY
 
Concebida como um campo de ressonâncias, mais do que como uma afirmação temática, a exposição propõe uma reflexão sobre a forma como os artistas contemporâneos continuam a negociar a abstração, a materialidade e a perceção, através de abordagens distintas, mas profundamente interligadas.
 
Atravessando gerações e geografias, os artistas reunidos partilham uma atenção rigorosa ao processo, ao gesto e à presença física da obra. A pintura surge não como uma categoria estável, mas como uma condição mutável, expandida no espaço, redefinida pela escala ou ativada pelo tempo, pela repetição e pelo envolvimento do corpo. O desenho ultrapassa o plano bidimensional, a escultura aproxima-se da lógica da linha, e a cor afirma-se como atmosfera, mais do que como superfície.
 
A exposição articula um percurso fluido pela abstração enquanto experiência vivida, começando na materialidade táctil de Robert Janitz, onde a pintura se afirma como corpo e superfície, e avançando para os campos pictóricos estratificados de Leena Nio e para o trabalho de Melike Kara, que cruza pintura e colagem a partir de fragmentação, memória e deslocamento. A pintura expande-se depois no espaço com Josh Sperling, que a redefine escultoricamente, e com Hanns Schimansky, que prolonga o desenho em sistemas espaciais. Entre gesto e tempo, surgem as construções meditativas de Bruno Castro Santos e a intensidade gestual radical de Bjarne Melgaard, enquanto Donna Huanca introduz o corpo como superfície e arquivo. Heimo Zobernig revisita criticamente os códigos do modernismo através da ambiguidade e da disrupção, Pedro Quintas constrói imagens em suspensão, feitas de camadas e reajustes contínuos, e Rui Matos encerra o percurso transformando a escultura em desenho tridimensional.
 
Longe de propor uma narrativa unificada, "The Tea Master" afirma a coexistência: uma exposição em que cada posição artística preserva a sua autonomia, contribuindo simultaneamente para uma reflexão mais ampla sobre a linguagem visual contemporânea.
Numa cidade que se tornou um ponto de encontro de residentes internacionais e visitantes de todo o
mundo, esta pluralidade de vozes encontra eco no presente cosmopolita de Lisboa, um contexto onde diferentes perspetivas culturais convergem naturalmente e se enriquecem mutuamente.